Estrutura do átomo
A estrutura atómica não é um sistema solar em miniatura. Um átomo contém um núcleo minúsculo formado por protões e neutrões, rodeado por eletrões descritos por estados quânticos. O núcleo determina a identidade e quase toda a massa; a distribuição eletrónica controla a maior parte da química.
Três partículas, três funções diferentes
Protão
Carga +e. Encontra-se no núcleo. O número de protões Z define o elemento.
Neutrão
Sem carga líquida. Encontra-se no núcleo. Diferentes números de neutrões originam isótopos.
Eletrão
Carga −e. A sua massa é cerca de 1/1836 da massa de um protão. Ocupa estados quânticos em torno do núcleo e domina o comportamento químico.
Um átomo neutro tem o mesmo número de eletrões e protões. Alterar o número de eletrões produz um ião; alterar o de neutrões produz um isótopo; alterar o de protões produz um elemento diferente.
Número atómico, número de massa e notação isotópica
O número atómico Z é o número de protões. O número de massa A conta protões e neutrões; assim, o número de neutrões é N = A − Z.
²³₁₁Na: Z = 11, A = 23, N = 12.
²³₁₁Na⁺: continua a ter 11 protões e 12 neutrões, mas passa a ter 10 eletrões.
A massa atómica indicada na tabela periódica não é geralmente um número inteiro, porque corresponde a uma média ponderada dos isótopos naturais e não ao número de massa de um átomo específico.
De Rutherford ao átomo quântico
A dispersão de Rutherford estabeleceu a existência do núcleo, mas um eletrão clássico em órbita de um núcleo positivo radiaria energia e acabaria por colapsar sobre ele. Bohr introduziu níveis de energia discretos para o hidrogénio; a mecânica quântica substituiu órbitas fixas por funções de onda e orbitais.
Um orbital não é uma trajetória. É um estado quântico cuja função de onda determina uma distribuição de probabilidade para encontrar um eletrão. As camadas e subcamadas organizam estes estados de acordo com os números quânticos e a energia.
Esta distinção é essencial: as tendências químicas — ligação, ionização, tamanho, espetros — resultam das energias e distribuições espaciais dos eletrões, e não de partículas a circular em torno do núcleo como planetas.
Constrói um átomo: balanço de carga e massa
A ferramenta separa deliberadamente as três contagens. A identidade nuclear depende do número de protões; a carga depende do desequilíbrio entre protões e eletrões.
Escalas, forças e coesão do átomo
Os eletrões estão ligados ao núcleo por atração eletromagnética. No interior do núcleo, os protões repelem-se eletricamente, mas a distâncias nucleares a interação forte consegue manter protões e neutrões ligados.
As duas escalas não devem ser confundidas: a química reorganiza sobretudo eletrões e envolve tipicamente energias da ordem de eletrão-volts por partícula; as reações nucleares alteram o núcleo e podem libertar, por evento, energias milhões de vezes maiores.
Até a expressão «tamanho de um átomo» exige cuidado. A densidade eletrónica não possui uma fronteira nítida; por isso, os raios atómicos são inferidos a partir das distâncias entre átomos em moléculas ou sólidos.
Evidências que construíram o modelo atómico moderno
| Evidência | O que demonstrou | O que ainda não explicava |
|---|---|---|
| Raios catódicos | Os átomos contêm eletrões negativos; é possível medir a razão carga/massa do eletrão. | A localização da carga positiva. |
| Gotas de óleo de Millikan | A carga do eletrão é quantizada; combinada com e/m, permite obter a massa do eletrão. | A estrutura nuclear. |
| Dispersão de Rutherford | A carga positiva e quase toda a massa concentram-se num núcleo minúsculo. | A estrutura eletrónica estável e os espetros. |
| Espetros atómicos | Os átomos possuem energias eletrónicas discretas. | Uma teoria completa para átomos com muitos eletrões. |
| Experiências de Chadwick sobre o neutrão | O núcleo também contém partículas neutras com massa semelhante à do protão. | As forças nucleares em detalhe e a estrutura em camadas. |
O modelo mudou porque as experiências excluíram representações anteriores. Um diagrama atómico cientificamente útil deve, portanto, ser interpretado como um modelo ligado a evidências específicas, e não como uma fotografia literal.
Massa, isótopos e escala das massas atómicas
As massas do protão e do neutrão são próximas de 1 unidade de massa atómica unificada, enquanto um eletrão contribui apenas com cerca de 0,00055 u. Por isso, o número de massa A é uma boa contagem inteira de nucleões, mas não corresponde a uma massa atómica exata.
A ligação nuclear também altera a massa. Um núcleo ligado tem uma massa ligeiramente menor do que a soma dos seus protões e neutrões separados; a diferença de massa corresponde à energia de ligação através de E = mc². As massas atómicas usadas em química referem-se ainda a átomos neutros e incluem as massas dos eletrões.
O valor apresentado na tabela periódica é normalmente uma média ponderada pelas abundâncias isotópicas. No cloro, os isótopos naturais ³⁵Cl e ³⁷Cl originam uma média próxima de 35,45 u. Nenhum átomo comum de cloro possui «35,45 nucleões».
Posição, probabilidade e nuvem eletrónica
A mecânica quântica não atribui a um eletrão uma órbita clássica com posição e velocidade conhecidas em cada instante. Uma função de onda descreve o estado e |ψ|² fornece uma densidade de probabilidade para medições de posição.
Os desenhos de orbitais costumam delimitar uma fração escolhida — frequentemente cerca de 90 % — da probabilidade. A fronteira é, por isso, uma convenção de visualização: a densidade eletrónica estende-se para além da superfície desenhada.
O princípio da incerteza vai além de uma técnica de medição imperfeita: os estados quânticos não podem possuir simultaneamente posição e quantidade de movimento arbitrariamente precisas. Esta é uma das razões pelas quais a imagem de órbitas planetárias acaba por falhar.
Exercícios
Ião magnésio
²⁴Mg²⁺ tem Z = 12. Determina o número de protões, neutrões e eletrões.
Solução
12 protões, 24 − 12 = 12 neutrões, e 12 − 2 = 10 eletrões.
Isótopo ou ião?
Dois átomos têm 17 protões; um possui 18 neutrões e o outro 20. Qual é a relação entre eles?
Solução
São isótopos do cloro. O número de protões — e, portanto, a identidade do elemento — é o mesmo.
Evidência de Rutherford
Que observação exclui uma carga positiva distribuída uniformemente?
Solução
Os raros desvios de grande ângulo exigem que a carga positiva e quase toda a massa estejam concentradas numa região muito pequena: o núcleo.