O núcleo atómico

Quase toda a massa de um átomo está concentrada num núcleo com apenas alguns femtómetros de dimensão. O núcleo contém protões e neutrões, designados em conjunto por nucleões, e a sua estrutura resulta da competição entre a interação nuclear de curto alcance, a repulsão elétrica e efeitos quânticos.

A notação dos nuclídeos torna explícitas as contagens

ᴬZX, em que Z é o número de protões, A o número total de nucleões e N = A − Z o número de neutrões.

Alterar Z muda o elemento. Alterar N mantendo Z fixo produz um isótopo do mesmo elemento. A carga nuclear é +Ze, enquanto quase toda a massa atómica provém dos nucleões.

XAZnúmero de massanúmero atómicoN = A − Zmesmo Z = mesmo elementoN diferente: isótopo
A e Z são contagens, não massas medidas em quilogramas. Identificam a composição do núcleo.

A escala de tamanho nuclear

Uma relação empírica útil é R ≈ r₀A¹ᐟ³, com r₀ ≈ 1,2 fm. Como o volume varia com R³, a densidade nuclear é aproximadamente constante para muitos núcleos. Duplicar A não duplica o raio.

nucleões à escala de femtómetrosinteração forte: curto alcancerepulsão de Coulomb: maior alcance
A estabilidade nuclear resulta de um equilíbrio: a interação forte liga nucleões próximos, enquanto a repulsão elétrica protão-protão ganha importância à medida que Z aumenta.

Energia de ligação e defeito de massa

Um núcleo ligado tem uma massa de repouso inferior à dos mesmos protões e neutrões separados até ao infinito. A diferença Δm corresponde à energia de ligação B = Δmc². É uma propriedade energética de todo o sistema; não significa que os nucleões individuais percam a sua identidade.

A estabilidade não é determinada por um único número

Importam a razão neutrão-protão, a estrutura de camadas, o emparelhamento e os canais de decaimento disponíveis. Um núcleo pode ter grande energia de ligação por nucleão e continuar radioativo se houver um estado de energia inferior acessível. «Fortemente ligado» e «absolutamente estável» não são afirmações equivalentes.

Uma comparação de escalas ajuda: para A = 125, a regra A¹ᐟ³ dá um raio nuclear de apenas cerca de 6 fm, enquanto o átomo circundante costuma ter dezenas de milhares de femtómetros. O núcleo ocupa, portanto, uma fração extremamente pequena do volume atómico. É por isso que experiências de dispersão conseguem sondar um centro positivo compacto, embora a química seja governada sobretudo pela nuvem eletrónica, muito mais extensa.

Exemplos resolvidos

1. Neutrões no urânio-238

Com Z = 92 e A = 238, N = A − Z = 146.

2. Escala do raio

Se A aumentar por um fator 8, A¹ᐟ³ duplica; o raio nuclear fica aproximadamente duas vezes maior.

3. Energia de um defeito de massa

Um defeito de massa de 0,010 u corresponde a cerca de 0,010×931,5 = 9,32 MeV de energia de ligação.